cry forever
There's nothing worse than death.
Final seasons.
Post-concert depression.
When there's no food.
Fictional characters dying.
Hipster blogs.
Crying over bands.
When ships aren't canon.
....
When penises appear on your dash while your mother is watching.
01. Mandrágora Officinarum
Expõe o nascimento da personagem, conta o princípio da história que será contada. Podemos observar nessa fase a concepção, amadurecimento, natalidade, caça, colheita e captura da Mandrágora. Simboliza a origem natural do ser humano, em tempos dos quais o homem e a natureza eram tão unidos como se fossem um só. No mundo moderno, o homem recém nascido ainda se agarra em suas origens naturais, porém é bombardeado e exposto aos ideais corrompidos da sociedade contemporânea, e acaba que por deixar pra trás sua descendência orgânica e natural com o passar do tempo. A mandrágora está em seu habitat natural, desenvolvendo-se em harmonia com a natureza ao seu redor, e de repente chega o homem urbanizado, e a retira de sua casa para dela se beneficiar. Essa fase também representa o uso que o homem faz da natureza ao seu favor, sem pensar nas conseqüências, nem ao dano que a está causando, sendo que ela é a essência da vida humana.
02. Dusty Rabbit Hole (ing. Toca de coelho empoeirada)
Após a mandrágora ser arrancada de seu habitat, o homem aproveita o máximo das propriedades e utilidades que ela pode proporcionar, a tornando quase como uma escrava. A mandrágora era conhecida antigamente por proporcionar efeitos alucinógenos a quem a consumisse, além das propriedades médicas e mágicas. O homem se apodera da mandrágora, uma metáfora que corresponde com o poder que o homem supostamente exerce sobre a natureza à seu favor. No fim das contas, de tanto ser exposta à vida humana e seus prazeres fúteis e incompletos, o desejo de ser humana se desenvolve dentro da mente subumana da mandrágora, e se torna uma decisão. Isso mostra o quanto que a vida se tornou efêmera, e que o ser humano limitou-se a vivê-la de forma frívola, abandonando as reflexões sobre sua origem e mistério, simplesmente por ser “mais fácil assim”. A mandrágora, que é inocente e está na flor da idade, tende por tomar como exemplo as atitudes humanas e, dessa forma, também abandonar sua naturalidade.
03. Bounty (ing. Recompensa)
Decidida a se tornar humana, a mandrágora deve aprender as fases do desenvolvimento humano, como o homem se torna homem. Uma fase de reflexões, descobertas e conquistas. Ela percorre cada estágio do desenvolvimento do ser humano para se tornar um também. Baseada em simbolismo e interpretação, essa fase do projeto ensina como se tornar um ser humano pleno, coisa que nem ela, nem mesmo nós, somos capazes. Por fim alcança sua recompensa e se torna, quase, um ser humano.
04. Slut (ing. Prostituta)
A agora já batizada mandrágora, Bounty, já é humana, pelo menos pensa dessa forma, e sente que faltou algo em seu desenvolvimento. Ela transpassou tudo que deveria passar pra se tornar plenamente humana, menos o fator essencial, o sexo, e seu fruto, um filho. Tomada por repentina vontade e desejo de produzir uma prole, Bounty, cega, faz de tudo para conseguir engravidar, e se torna uma prostituta. Prostituta, plastificada e sem um pingo de natureza em seu interior, Bounty finalmente se sente um pleno ser humano, em todas as suas futilidades. O sexo se torna algo desinteressante, apenas um obstáculo a se passar para alcançar o objetivo principal. No caso de Bounty, engravidar, no caso do ser humano, o prazer físico. Bounty continua tentando e por fim consegue ficar grávida. Porém ela não sabia o que a esperava. Ao abandonar suas origens, e se afixar apenas em seu desejo de se tornar humana, jamais se interessou a pesquisar sobre sua própria espécie. Mal sabia ela que esse filho seria oco, não teria alma, sentimentos ou qualquer coisa parecida. Sendo assim, ela pari a criança.
05. Kin (ing. Família)
Orgulhosa e plenamente feliz com o nascimento de seu filho, Bounty fica incapacitada de ver as conseqüências do seu ato. A criança é viva, porém não tem espírito, é só um pedaço de carne em suas mãos. Não sabendo o que fazer nem como lidar com a situação, Bounty abandona seu filho e foge. O ser humano erra, falha, comete seus atos inconseqüentes e depois quando enxerga o que fez, tende a fugir, abandonar sua culpa. Bounty, que neste ponto já começa a ruir emocionalmente, se arrepende, quer por tudo salvar seu filho, pois enxerga o mundo como realmente ele é. Decide encontrar seu filho e fugir com ele para a natureza novamente. Decide abandonar a vida humana e todas as suas falhas e inquietações. Porém, quando encontra seu filho, ele está morto, pois não agüentou a vida humana e sucumbiu.
06. Sever (ing. Romper)
Desesperada e desiludida, Bounty volta correndo aos braços de sua mãe natureza, na esperança de conseguir se tornar novamente uma mandrágora e deixar de vez o mundo humano. Porém, a natureza a rejeita. Depois de todos os abusos que ela cometeu, e dos valores corrompidos que absorveu, Bounty não era mais vista pela natureza como uma legítima filha, ela era apenas um ser humano. Nós nos desvencilhamos tanto da natureza e sua misticidade, que ela jamais nos aceitará novamente como um filho legítimo. Bounty, que não tem estrutura emocional o suficiente pra agüentar a rejeição, em um colapso, comete suicídio, e por fim devolve sua energia vital para o uso da natureza, que cada dia que passa está com mais força e mais sede de vingança.
Paris, França, 1899. Os encontros que por acaso Thomas Mackenzie tinha com Jonna Lee na calçada úmida e gelada da Rua Villeneuve, nos noites de inverno, contam com mais linearidade os eventos que seguem. Se ladrilhos falassem, contariam a história. Em suma, um romance tórrido de um escritor francês metódico e arrogante com uma professora de inglês gentil e cândida, que transformaria sua vida.
E assim seguia, todas as noites. Durante anos, os dois se cruzavam, erguiam suas sobrancelhas um para o outro, certa vez Jonna ameaçou um sorriso, mas já era muito tarde. Sempre naquelas esquinas nevoentas daquela rua sombria. Sempre no mesmo horário, ele a caminho do bar, e ela a caminho de casa. Ele procurava afogar suas mágoas e encontrar sua inspiração nas gotas de álcool e nas baforadas de tabaco. Ela caminhava exausta depois de um longo dia de trabalho, pra chegar em casa, tirar seus sapatos e ler algo antes de dormir.
Todos os dias as chances de eles se conhecerem melhor animava-se por uma nova tentativa, mas sempre saíam decepcionadas. Certa noite, Jonna deixou seus livros e logo depois seu corpo caírem, e quando Thomas olhou para trás, viu a cena e pensou em ajudá-la, outro rapaz já o tinha feito. Com sua mente arrogante, virou-se e pensou, nunca mais penso em ajudar alguém, sempre vai chegar alguém na frente mesmo. Enquanto a moça, agradecendo o bom rapaz que a tinha ajudado, olhava para trás em busca de Thomas, pra ver se ele pelo menos perguntaria se ela estava bem.
Decepções formulam a história desse romance, que brilhava nos olhos dos dois quando se cruzavam. Pensamentos transpassavam a mente dos dois as vezes, porque não conversar? Porque não conhecer alguém novo? Porque não arriscar? Os devaneios se desenvolviam, e tornavam-se idéias, enchiam de esperanças novamente as perspectivas dos dois jovens, mas não passavam de idéias, que nunca se concretizavam.
Até a fatídica noite em que o jovem Thomas lançou seu terceiro livro, depois de dois fracassos que só lhe renderam críticas pesadas e dores de cabeça. O livro foi um sucesso, inesperadamente Thomas tinha se superado e escrito algo que valia a pena. Estava no auge do sucesso.
E foram nessas noites de satisfação que Thomas cruzava com Jonna e sorria, erguia o braço e dizia um surpreendente boa noite. Sempre ele que fazia isso, Jonna, incrédula, abria bem seus olhos, pra ver se não era confusão ou ilusão de ótica, e continuava sua caminhada insignificadamente mais feliz.
Thomas sabia muito bem a razão de seu bom humor, o seu sucesso, e apesar de ser arrogante, estava mais sociável e afetivo com os outros, inclusive com Jonna, que nunca soube explicar o motivo de toda aquela boa educação que recebia gratuitamente. Até ver por acaso, caminhando, a vitrine de uma livraria que ficava em uma movimentada rua estreita de Paris, em que um vulto conhecido passou borrante pelos seus olhos. Voltou, focou a vista e viu o semblante de Thomas, em uma fotografia ao lado de seu lançamento. Jonna ficou extremamente surpresa, não sabia que aquele arrogante simpático jovem era escritor, na verdade, não sabia nem o seu nome. Resolveu levar o livro.
Como de costume, logo após seu primeiro passo fora da livraria, abriu sua nova aquisição e folheou, gostava de sentir o cheiros de folhas novas, virgens, prontas para serem devoradas, era a melhor sensação do mundo pra ela. Respirando aquele aroma novo, vendo pequenas letras nos papéis q folheava, se distraiu de uma maneira incrível, nunca explorada, e sentiu um êxtase abstrato apenas lendo o título da obra: Rua Villeneuve.
Tanto surpresa e felicidade, misturada com distração, e uma rua movimentada, não eram boa mistura, e logo aconteceu o inesperado.
Depois daquele dia fatídico, Thomas continuou a freqüentar seu bar, mas sentia falta de algo no caminho. Passava por ali inquieto, aquele trecho tinha algo a mais antes, está tão vazio, tão efêmero, tão obsoleto. Continuava satisfeitos por seu sucesso, mas aquele estranho sentimento foi crescendo, e aumentava dia a dia. Até se tornar um enorme buraco no peito.
Quando perguntaram a Thomas o porquê do título “Rua Villeneuve”, em certa entrevista, ele disse que não sabia o real motivo. O livro se tratava de alegria, de amor, de um caso de romance, de paixão, em suma, felicidade, e disse que sempre que passava naquela rua em direção ao bar que freqüentava, sentia uma energia positiva muito grande, sentia algo novo. Disse nenhum outro título conseguiria exprimir a felicidade que queria comunicar no vídeo, pois sentia tão grandiosa felicidade quando passava naquela rua, nas noites de inverno. E finalmente disse que não havia um motivo concreto para tal, ele apenas se sentia completo passeando por lá.
Mal ele sabia que ao passar pela mesma rua, todos os dias novamente, ele nunca mais se sentiria assim. Nunca mais se sentiria completo, ou feliz. Pois nunca mais sua alma cruzaria com ela, o motivo de seu sorriso, sua felicidade e sua grande obra. Nunca mais saberia o que abordava o mistério da felicidade que trazia a agora famosa rua.
Nunca mais escreveu, nunca mais bebeu, nem sorriu. E morreu esperando aquela sensação passar de novo pelo seu corpo gelado, nevoento, iguais às calçadas das ruas geladas nas noites de inverno de Paris. Iguais às calçadas da Rua Villeneuve.
orgasms